Observatório Cultural – Ed.3

Por Ricardo Santos de Carvalho

(07 de setembro a 23 de outubro de 2014)

– Em entrevista dada à Vila Nova no ano passado, o poeta Ângelo Monteiro anunciara que tinha três poemas inéditos na gaveta. Há pouco demos notícia da publicação de Como Virar as Páginas da Solidão. Logo depois, chegou às livrarias novo livro, em que Ângelo reúne as outras duas obras: Imagens em Fuga & Os Trapézios dos Dias, graças à Editora Bagaço.

– Em recente postagem de sua coluna, o poeta Érico Nogueira aponta para um fato também discutido pelo latinista Paulo Sérgio de Vasconcelos na revista Nabuco: vive-se mais uma vez uma fase de classicismo no Brasil. E essa fase tem uma nota que difere de outros momentos. Se antes as leituras e traduções de Sêneca ou de Sófocles eram relacionadas à cultura eclesiástica ou vinham de inspiração iluminista (esta ocorrendo especialmente no Maranhão do século XIX, com destaque para João Lisboa e Odorico Mendes), hoje há uma pluralidade de intenções e focos. E esse “renascimento” não se dá a ver apenas pela quantidade e qualidade das versões dos clássicos que ganharam edição recente, como também pelo número de encontros universitários de História e de Letras dedicados à Antiguidade, acontecendo por todo o país.

– Este observatório recomenda a coluna mensal de Alcir Pécora na revista Cult. Na Cult??, questiona o leitor. Pois é, na Cult. Pécora é um dos poucos críticos literários que restaram no país, e não deixaremos de prestigiá-lo só porque ele faz parte do elenco fixo desse deserto intelectual que é a revista.  Pécora é hoje, sem sombra de dúvida, a autoridade maior na interpretação dos sermões e trabalhos proféticos do Padre Antônio Vieira; seu Teatro do Sacramento não só é obra incontornável no corpus de discussões sobre o jesuíta, como é também um dos mais bem sucedidos estudos de crítica e análise literária jamais feitos em nossa língua. Após uma nota curiosa sobre a música na obra de Vieira, por ocasião do lançamento de Índice das Coisas Notáveis, Pécora aproveita para discorrer sobre o papel da música na formação de costumes de classe, tomando como exemplo os cortesões franceses no início da dita Era Moderna.

– E, para finalizar, é com alegria que recebemos a notícia de que a Cosac Naify reeditará todo o Murilo Mendes (1901-1975). Após o belo trabalho de edição feito com A Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima, só podemos esperar o melhor.

Ricardo Santos de Carvalho é ensaísta. Escreve sobre literatura e demais artes no blog O Degredado.

Comments

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pular para a barra de ferramentas