Observatório Cultural

 Por Ricardo Santos de Carvalho

(31 de agosto a 06 de setembro de 2014)

– Poeta latino do primeiro século d.C., Sexto Propércio exerceu influência em nomes modernos da estatura de um Ezra Pound e de um Goethe. A editora Autêntica acabou de lançar, pela primeira vez em português, uma tradução integral de suas Elegias, vertida em nosso idioma por Guilhermo Gontijo Flores. A edição inclui os poemas em sua língua original. O livro faz parte da coleção Clássica, que também publicou edição bilíngüe de O Diálogo dos Oradores, de Tácito, com tradução de Júlia Batista Castilho de Avellar e Antônio Martinez de Resende, e uma coletânea de versões do mito da Médea, traduzidas por Márcio Meirelles Gôuveia Júniior.

– Ainda no mundo da antigüidade clássica e adentrando no medievo, a cidade maranhense de Imperatriz convida acadêmicos de todo o Brasil para o I Encontro Internacional de História Antiga e Medieval de Imperatriz – Mito Religião e Magia, promovido pela UEMA. Destacamos as presenças da Professora Doutora Adriana Zerer, que apresentará conferência sobre as Visões de Túndalo, texto medieval pertencente à mesma tradição da qual pertence A Divina Comédia de Dante Alighieri. O encontro terá um encerramento especial com o Professor Doutor Ricardo da Costa, sobre o Inferno na arte e na filosofia da Idade Média. Inscrições aqui.

– Do Ricardo da Costa também recomendamos o seu site pessoal. Além do conteúdo rico, da Costa é coerente com a forma como enxerga a beleza, um transcendental que não está apartado do anseio pela verdade: sua página é das mais belas da internet nacional. Seu estilo combativo e a seriedade de seus estudos tornou-o uma figura aclamada e detratada na academia, pelo menos desde que, em 2003 apresentou na UFes o provocativo artigo “Para que serve a História? Nada…“. E aqui vai nota pessoal: na minha graduação de História, esse texto foi-nos apresentado negativamente na cadeira de Teoria, por contrariar aquela visão militante do ensino universitário que é voto de fé quase que obrigatório nas faculdades de humanas e sociais em nosso país. Ricardo da Costa ousou defender que o estudo da História serve para a diversão e a sabedoria, entreter e edificar. Para aqueles que compartilham do universo mental predominante em nosso Ensino Superior, em que se procura primeiro “transformar a realidade” antes de procurar a conquista dos conhecimentos e das atitudes necessárias para entendê-la, defender a sabedoria como fim do ensino é o mesmo que fazer apologia do Nada.

Ricardo Santos de Carvalho é ensaísta. Escreve sobre literatura e demais artes no blog O Degredado.

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